PERFORMANCE

A performance atravessa toda a prática de Paula. Por quase trinta anos, através da ACT Human em Singapura, sua pesquisa foi performática por natureza. O storytelling e o role-play eram seus instrumentos centrais: presença, escuta e transformação trabalhadas em tempo real, diante de um grupo. O corpo, a voz e o momento eram o material.
No trabalho artístico, a performance assume várias formas. Há a performance da instalação, em que a obra não se completa até que um corpo entre nela. Há a performance contida na imagem em movimento, em que a mão trêmula e a respiração às vezes ouvida são a presença da artista. Há a intervenção de rua, em que a ação deixa a galeria e o transeunte se torna parte da obra. E há a reperformance, o carregar adiante do gesto de outro artista, rumo a um novo momento.
A dimensão teatral é mais forte em Kitsch Glitz. Ali as instalações pedem o corpo do observador para se completarem: a escultura que se ilumina quando alguém se aproxima, a fileira de corações que termina em uma lâmpada solitária, o coração sobre madeira queimada que não responde, ele pergunta. Nada, por si só, é a obra. A obra acontece quando alguém chega.
Uma casa de bonecas
Performance, intervenção urbana
Veneza, 2026
Paula Marcondes │ Uma casa de bonecas │ Performance, intervenção urbana │ Calle del Paradiso, Veneza, Itália │ 8 de maio de 2026, semana de abertura da 61ª Bienal │ Duração: 1 hora e 15 minutos
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Ação: montagem ao vivo da casa e preparação das estações de câmera e de manuscrito, com a mala de viagem deixada à vista, transmitida ao vivo no Instagram, com diálogo intermitente com espectadores online e transeuntes
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Elementos: casa transparente de policarbonato e plexiglass com telas de celulares reutilizadas; manuscrito Instructions to Build A Doll House: A Metaphor for Living Consciously, empilhado ao lado da obra, placa: "Por favor, leve um"; a mala de viagem
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Constante: a casa e o manuscrito
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Fluxo: o local, o público que passa, a audiência ao vivo, o tempo e a luz do dia
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Documentação: transmissão ao vivo, fotografia e vídeo
Durante a semana de abertura da 61ª Bienal, Paula construiu Uma Casa de Bonecas ao ar livre, no muro de um canal na Calle del Paradiso, em Veneza, sob uma Madona gótica.
Por uma hora e quinze minutos, Paula a montou peça por peça, o canal às suas costas, cada parte posicionada com respiração firme e atenção total. Um descuido, e uma peça se perderia na água. Construí-la foi um ato de consciência. A câmera e o manuscrito ficaram ao lado da obra, a mala de viagem deixada à vista, e o ato foi transmitido ao vivo, atraindo quem passava e quem assistia de outros lugares. Quando terminou, a obra permaneceu na fotografia, na transmissão e no que foi levado embora. Paula Marcondes │

Xadrez entre colônias
Intervenção urbana
Lisbon, 2025
Paula Marcondes │ Xadrez entre colônias │ Intervenção urbana│ Jardim Teófilo Braga, Lisboa, Portugal │ Novembro de 2025 │
Duração: aproximadamente 3 horas
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Ação: Xadrez entre colônias instalado em uma praça pública, com as peças feitas de telas de celulares resignificadas; transeuntes, crianças e adultos, aprenderam e jogaram Xadrez entre colônias ao longo da tarde
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Elementos: peças de xadrez de telas de celulares resignificadas e resina sobre cubos de plexiglass transparente, e tabuleiro de detritos digitais; base
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Constante: a obra, o convite a jogar
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Fluxo: os jogadores, o público que passa, a praça, o tempo e a luz do dia
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Documentação: fotografias
Em novembro de 2025, Paula instalou Xadrez entre colônias em uma praça de Lisboa, aberto a quem passasse. As peças eram telas de celulares reutilizadas, e o jogo não é xadrez: todas as peças são pretas, e cada símbolo se completa apenas pela peça oposta. Para jogar, os dois lados precisam cooperar em vez de se derrotarem, e disso nascem comunicação, conexão e, talvez, cura. Por cerca de três horas, crianças e adultos paravam, aprendiam e jogavam. Em uma fotografia, um pai está absorto no próprio celular enquanto seus filhos movem as peças-tela entre eles. O que restou foram as fotografias e as partidas jogadas.


Cem papéis um papel
Reperformance da obra original
de Izidório Cavalcanti, 2025
Paula Marcondes │ Cem papéis um papel │ Reperformance da obra original de Izidório Cavalcanti │ Galeria Tato, São Paulo, Brasil │ Agosto de 2025, encerramento de Opacidade Ressonante │ Duração: aproximadamente 10 minutos
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Ação: o rasgar do papel, aproximadamente uma folha para cada obra da exposição
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Elementos: um bloco de papel sulfite A4
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Obra original: Cem papéis um papel, de Izidório Cavalcanti, cujas obras integraram a mesma exposição
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Constante: o gesto de rasgar, da obra original de Izidório
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Fluxo: a performer, o local
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Documentação: vídeo
No encerramento da exposição coletiva Opacidade Ressonante, na Galeria Tato, em São Paulo, em agosto de 2025, Paula reperformou Cem papéis um papel, obra do artista brasileiro Izidório Cavalcanti, cujas próprias peças integravam a mesma exposição. Izidório é surdo. Na obra original, ao rasgar o papel ele não ouve o rasgo; apenas quem observa ouve o som. A obra vive nessa lacuna, o som pertencendo ao público e não a quem o produz. O mesmo grupo de artistas, curadores e galeristas exporia em seguida em Lisboa, na Galeria Verso, em novembro, e assim os papéis rasgados carregavam um segundo sentido: o deslocamento do grupo de São Paulo para Lisboa.
Série Amplify
Videoperformance
Paula Marcondes │ Videoperformance │ Série Amplify
- Ação: uma única tomada em câmera na mão de aproximadamente 90 segundos, iniciada com a respiração e atenção plena ao que chama, um reflexo, um gesto, um corte de luz; sem tripé, de modo que a mão trêmula e a respiração às vezes ouvida são a presença da artista
- Forma: vídeo de canal único, aproximadamente 90 segundos
- Constante em toda a série: o método, a respiração, os 90 segundos, a tomada em câmera na mão
- Variável por obra: o título, o local, o ano, o tema
Todo vídeo da série Amplify é uma videoperformance, a ação contida na imagem em movimento, em que a mão trêmula e a respiração são a presença da artista; quatro deles são exibidos aqui. As formas diferem, mas o material é o mesmo em cada uma: o corpo, presente, em tempo real, e o momento que não se repete.










