
Sketch
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Meu trabalho começa pela escuta: dos materiais, das memórias, do que foi deixado de lado.
Em tempos de excesso e conexão constante, volto meu olhar para o que foi descartado. Não para resgatá-lo, mas para perguntar o que ele ainda tem a dizer.
Uso telas de celular reaproveitadas, registros do cotidiano e fragmentos do físico e do digital, o phygital, para criar trabalhos que transitam entre objeto, imagem e espaço.
Minha pesquisa explora consciência, conexão e cura: o que emerge quando desaceleramos o suficiente para olhar para o que costuma ser esquecido ou descartado.
Trabalho em instalação, performance, pintura, fotografia e vídeo. A linguagem segue a pesquisa, não o contrário.
Paula Marcondes
Paula Marcondes nasceu em 1969 em São Paulo, Brasil. Vive e trabalha entre São Paulo, Bozeman (Montana, EUA) e Singapura.
Transitando entre instalação, objeto, pintura, performance, fotografia e vídeo, Paula Marcondes investiga o que significa ser humano e consciente em um mundo contemporâneo phygital. Sua pesquisa — enraizada em trinta anos de trabalho sobre consciência, comunicação e resiliência — aborda as tensões entre o físico e o digital, o íntimo e o manufaturado, o descartado e o luminoso.
Telas de celulares reaproveitadas são centrais em sua prática: superfícies que funcionam simultaneamente como espelhos e portais, refletindo o corpo e dando acesso a ecossistemas virtuais. Em torno dessas telas, e em torno de fontes de luz — lâmpadas incandescentes, fitas de LED, espelhos e vidro — a artista constrói obras que incorporam símbolos populares, resíduos industriais, materiais coletados da natureza e elementos extraídos das múltiplas geografias que habita.
As séries não são separadas. São a mesma pergunta feita em linguagens diferentes: o que significa ser humano e consciente em um mundo contemporâneo phygital? A pesquisa se aprofunda e se expande de uma série para a próxima. Jogos & Brincadeiras (2025, em andamento) examina como a tecnologia molda o desejo, a identidade e os modos de existência, dos gestos da infância ao presente phygital. Dentro dessa série, A Casa de Bonecas (2026) é uma estrutura transparente de policarbonato construída à mão, habitada por figuras de telas de celular sobre móveis impressos em 3D, e acompanhada por um manuscrito que o visitante é convidado a levar para casa. Amplify (2024, em andamento) transforma instantes cotidianos em espaços de presença. Filmados com o celular em punho — sem tripé, sem alta resolução, sem perfeição técnica — cada vídeo de 90 segundos é um ato de atenção: uma respiração, uma meditação, uma amplificação do momento presente. Kitsch Glitz (2023) investiga as tensões entre sofisticação e excesso, o sagrado e o mundano, dialogando com o legado da arte Pop e a obra de Robert Rauschenberg e Jasper Johns. Retratos (2020–2021), criada durante o isolamento da pandemia em Singapura, investiga a representação do que transcende a forma física e se manifesta como energia, presença e essência.
Paula Marcondes realizou exposições no Basel Investor Forum, Davos, Suíça (2026); Galeria Tato, São Paulo (2025); CCA Galleries International, Jersey, Reino Unido (2024); Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre (2024); Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro (2023); e Galeria Dezoito, São Paulo (2023), entre outros.
